A alimentação vai muito além da saciedade, ela está diretamente ligada à saúde emocional, ao bem-estar mental e à qualidade de vida. Para esclarecer algumas dúvidas frequentes, a nutricionista do HNSD, Patrícia Guerra, trouxe orientações valiosas sobre o assunto.

Fome Fisiológica x Fome Emocional
Segundo a nutricionista, saber distinguir esses dois tipos de fome é essencial para uma alimentação consciente.
“A fome fisiológica é aquela que dá sinais claros: fraqueza, ronco no estômago e qualquer alimento é capaz de saciar. Já a fome emocional costuma vir acompanhada de uma vontade por alimentos específicos, como sorvete ou chocolate, e mesmo após comer, a sensação de satisfação não vem. Por isso, é importante reconhecer esses sinais e usar técnicas de distração, como ouvir música, beber água, escovar os dentes ou simplesmente esperar alguns minutos antes de comer. A consciência no ato de se alimentar também é fundamental.”
Qual o intervalo ideal entre as refeições?
Patrícia explica que a recomendação tradicional de comer a cada três horas não se aplica a todos.
“Cada pessoa tem um ritmo. Algumas sentem-se bem com intervalos menores, pois isso ajuda a evitar compulsões. Outras preferem espaçar mais, e tudo bem, desde que haja planejamento para que a próxima refeição seja equilibrada e nutritiva.”

Comer doces ajuda a aliviar a ansiedade?
A resposta da nutricionista é sim, mas com um alerta para os riscos de recorrer aos doces com frequência.
“Doces realmente proporcionam alívio momentâneo devido à liberação de dopamina e serotonina, que são neurotransmissores ligados à sensação de prazer. No entanto, esse alívio é passageiro. Por isso, é importante não depender exclusivamente do doce para lidar com a ansiedade. O ideal é manter uma dieta equilibrada, com alimentos ricos em magnésio, ômega 3 e triptofano, nutrientes que também estimulam esses hormônios do bem-estar de forma mais saudável e duradoura.”
Para viver bem, devemos comer o que queremos ou o que nos é sugerido?
Para Patrícia, o equilíbrio entre o desejo e a responsabilidade nutricional é a chave.
“Nosso corpo é composto por trilhões de células, e cada uma precisa de dezenas de nutrientes para funcionar bem. Se nos alimentarmos somente com produtos industrializados ou ultraprocessados, não conseguiremos atender a essas necessidades. Por isso, o ideal é encontrar o meio-termo: comer com prazer, mas com responsabilidade. Escolher alimentos que cuidem da nossa mente, corpo e qualidade de vida.”
Uma alimentação equilibrada não é apenas uma escolha estética, mas um compromisso com o bem-estar físico e emocional. E, como nos lembra a nutricionista, ouvir o corpo e compreender os sinais que ele nos dá é o primeiro passo para uma vida mais saudável.
