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Acolhe-se: cuidar da saúde mental de quem cuida

1 de julho de 2026

Tempo de leitura: 4 minutos

Programa criado durante a pandemia fortalece a cultura do acolhimento e oferece apoio psicológico aos colaboradores da instituição.

Em um ambiente onde vidas são transformadas, diariamente, também é preciso olhar para quem dedica seu tempo e sua energia ao cuidado com o outro. No HNSD, esse compromisso vai além da assistência aos pacientes e alcança quem faz o hospital acontecer todos os dias: os colaboradores.

Foi com esse propósito que nasceu o Programa Acolhe-se, uma iniciativa da Gestão de Pessoas voltada ao acolhimento psicológico dos profissionais da instituição. Criado durante a pandemia de Covid-19, o projeto surgiu em um momento de grande vulnerabilidade emocional, mas permaneceu como uma estratégia permanente de promoção da saúde mental.

“O importante é que o colaborador chegue até nós.” A frase de Aretusa Gomes, psicóloga organizacional, traduz a essência do Programa Acolhe-se: oferecer um espaço seguro para quem precisa de escuta, acolhimento e cuidado – Foto: Comunicação HNSD

Segundo a psicóloga organizacional Aretusa Gomes, a necessidade de estruturar o programa surgiu a partir das demandas observadas naquele período.

“O setor de Gestão de Pessoas já realizava acolhimentos, mas, durante a pandemia, percebemos a necessidade de ampliar essa assistência, formalizar o projeto e dar identidade a ele. Assim nasceu o Acolhe-se, que permanece até hoje oferecendo esse espaço de escuta aos colaboradores.”

Atualmente, todos os profissionais do HNSD podem procurar o serviço, seja por iniciativa própria ou por encaminhamento da liderança quando há percepção de que o colaborador necessita de apoio.

O acesso também foi pensado para ser simples e acolhedor. O atendimento pode ser solicitado por e-mail, telefone, WhatsApp ou até mesmo presencialmente. Mais do que seguir um protocolo rígido, o objetivo é facilitar o primeiro passo.

“O importante é que o colaborador chegue até nós. Depois disso, organizamos o atendimento da forma que melhor atenda à necessidade dele”, explica Aretusa.

Um olhar para quem vive a intensidade do ambiente hospitalar

Trabalhar em um hospital significa lidar diariamente com emoções intensas. Entre histórias de superação, perdas, ansiedade e esperança, os profissionais também são impactados pelo ambiente em que atuam.

Para Waldeni Santos, coordenadora de Gestão de Pessoas e psicóloga, acolher quem cuida é uma forma de fortalecer pessoas, equipes e a cultura de cuidado dentro do HNSD – Foto: Comunicação HNSD

Para a coordenadora de Gestão de Pessoas e psicóloga, Waldeni Santos, esse contexto exige um olhar atento para a saúde emocional das equipes.

“O ambiente hospitalar é intenso. Aqui convivemos diariamente com situações que envolvem vida, doença, sofrimento e, muitas vezes, luto. Tudo isso impacta os colaboradores, que também carregam suas próprias histórias e desafios.”

Ela destaca que já não faz sentido separar completamente a vida pessoal da profissional.

“O ser humano é único. Não existe deixar os problemas do lado de fora quando chega ao trabalho ou esquecer o que aconteceu aqui ao voltar para casa. É justamente por isso que precisamos cuidar das pessoas.”

Quando procurar ajuda?

Nem sempre quem precisa de apoio consegue reconhecer os próprios sinais. Em muitos casos, as mudanças são percebidas primeiro pelos colegas ou pela liderança.

Waldeni explica que alterações no comportamento costumam ser os principais indicadores.

“Às vezes, a pessoa que sempre foi tranquila passa a ficar agitada, ou aquela que era mais comunicativa se isola. Também podem surgir queda na produtividade, aumento do absenteísmo ou mudanças na forma de se relacionar. O importante é observar essas transformações.”

Ela lembra que ainda existe receio de falar sobre saúde mental dentro do ambiente de trabalho, muitas vezes por medo de julgamentos.

Por isso, o Acolhe-se busca oferecer um espaço seguro de escuta, sem estigmas.

Escuta, acolhimento e direcionamento

Diferente de um processo terapêutico de longa duração, o Programa Acolhe-se funciona como uma porta de entrada para o cuidado emocional.

Os atendimentos são individuais, realizados em ambiente reservado e protegidos pelo Código de Ética da Psicologia, garantindo total sigilo das informações compartilhadas.

A partir da escuta, as psicólogas avaliam cada situação. Em alguns casos, um único acolhimento é suficiente. Em outros, o colaborador pode retornar para novos encontros ou receber orientação para iniciar um acompanhamento psicológico contínuo na rede pública, pelo plano de saúde ou em atendimento particular.

Mesmo após esse encaminhamento, o colaborador continua recebendo acompanhamento da equipe de Gestão de Pessoas.

“Nós não soltamos a mão de ninguém. O objetivo é acolher, orientar e acompanhar esse colaborador até que ele esteja assistido da melhor forma possível”, ressalta Waldeni.

Uma cultura de cuidado

Além do atendimento psicológico, o programa reforça que o cuidado com a saúde mental deve fazer parte da rotina de toda a instituição.

Nesse processo, líderes e colegas também exercem um papel importante ao perceber mudanças de comportamento, oferecer apoio e incentivar a busca por ajuda.

“O primeiro passo, muitas vezes, é simplesmente perguntar: ‘Como você está?’. Uma conversa pode fazer toda a diferença”, destaca Waldeni.

Em um momento em que a saúde mental ocupa cada vez mais espaço nas discussões sobre qualidade de vida no trabalho, iniciativas como o Acolhe-se reforçam o compromisso do HNSD com um ambiente mais humano, acolhedor e saudável.

Porque, antes de cuidar de milhares de vidas todos os dias, é preciso garantir que quem cuida também encontre um lugar para ser cuidado.

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