Na tarde de ontem, 31, o SESMT, a CIPAA e a Gestão Estratégica de Pessoas do Hospital Católico Nossa Senhora das Dores (HNSD) promoveram um importante momento de diálogo, informação e reflexão sobre a violência contra a mulher, uma ação em referência ao Agosto Lilás. A palestra reuniu colaboradores no Auditório do HNSD e contou com a participação das psicólogas Tatiana Gavazza, coordenadora do Centro de Referência Especializado de Atendimento à Mulher (CREAM), e Joice Gonzaga, psicóloga do serviço.

A iniciativa teve como objetivo ampliar o conhecimento sobre o tema, fortalecer a escuta e contribuir para a construção de um ambiente cada vez mais acolhedor, respeitoso e atento às situações de violência.
Violência contra a mulher: um tema que exige reflexão

Durante a palestra, Tatiana Gavazza convidou os participantes a refletirem sobre as diferentes formas de violência contra a mulher e sobre como muitos comportamentos ainda são naturalizados pela sociedade.
A psicóloga ressaltou que a violência não se resume às agressões físicas. Ela pode estar presente em situações de controle, humilhação, desrespeito, violência psicológica, sexual, moral e patrimonial, muitas vezes disfarçadas em relações que deveriam ser baseadas no cuidado e no respeito.
Tatiana também compartilhou experiências e reflexões sobre as mudanças sociais ao longo dos anos, destacando a importância de reconhecer comportamentos machistas que, por muito tempo, foram considerados normais. Para ela, a transformação passa pelo conhecimento e pela disposição de refletir sobre atitudes cotidianas.
“Vivemos em uma cultura machista e, por isso, a desconstrução precisa ser constante. Precisamos estar atentos aos nossos pensamentos, às nossas falas e aos comportamentos que reproduzimos todos os dias”, destacou.
A psicóloga também falou sobre a importância do protagonismo das mulheres e do fortalecimento da compreensão sobre os próprios direitos e limites.
Conhecer para reconhecer e buscar ajuda
Durante o encontro, Joice Gonzaga apresentou o trabalho desenvolvido pelo Centro de Referência Especializado de Atendimento à Mulher (CREAM), serviço da Prefeitura que oferece acolhimento e acompanhamento a mulheres que passaram ou estão passando por situações de violência.
O CREAM atua em parceria com diferentes instituições e serviços, incluindo a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, Polícia Militar e serviços da rede de saúde e assistência social.

Segundo Joice, o atendimento é voltado principalmente para mulheres em situação de violência doméstica, podendo ser acessado por demanda espontânea ou por encaminhamentos realizados por outros serviços.
“O nosso serviço é de portas abertas. As mulheres podem nos procurar espontaneamente e também podem chegar até nós por meio de encaminhamentos de outros serviços, como os da saúde”, explicou.
A parceria entre o CREAM e os serviços de saúde também foi destacada durante a palestra. Em situações em que uma possível violência é identificada durante um atendimento, os profissionais podem contribuir para o acolhimento e o encaminhamento adequado da mulher, fortalecendo a rede de proteção.
Lei Maria da Penha completa 20 anos
Outro importante momento da palestra foi a reflexão sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha, celebrados em agosto deste ano.
As psicólogas apresentaram a história de Maria da Penha, farmacêutica cearense que sobreviveu a duas tentativas de homicídio cometidas pelo então marido e cuja luta se tornou símbolo da defesa dos direitos das mulheres no Brasil.
A criação da Lei nº 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, representou um marco no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.
Joice destacou que, antes da criação da legislação específica, muitas mulheres encontravam dificuldades para que as situações de violência fossem reconhecidas e tratadas de forma adequada.
A Lei Maria da Penha surgiu justamente para fortalecer a proteção às mulheres e garantir mecanismos mais específicos para prevenir, combater e responsabilizar os agressores em casos de violência doméstica e familiar.
Informação, escuta e acolhimento
A palestra reforçou a importância de falar sobre violência contra a mulher, romper o silêncio e compreender que o enfrentamento desse problema é uma responsabilidade coletiva.
Mais do que reconhecer situações de violência, o encontro buscou fortalecer a escuta, a empatia e o acolhimento, contribuindo para que colaboradores possam estar mais atentos às pessoas ao seu redor e saibam como agir diante de uma possível situação de violência.
Promover espaços de diálogo como esse é também uma forma de fortalecer a rede de proteção e reafirmar que nenhuma mulher deve enfrentar a violência sozinha. Informação, respeito e acolhimento também fazem parte do cuidado.
