O Grupo de Trabalho de Humanização (GTH) do HNSD promoveu na tarde desta quinta-feira,12, a 2ª Roda de Conversa com colaboradores, trazendo como tema “Nutrição e dieta: alimentação no período de calor”. O encontro foi conduzido pela nutricionista e coordenadora do Serviço de Nutrição e Dietética do Hospital, Patrícia Guerra, que abordou como as altas temperaturas impactam o organismo e quais cuidados alimentares são essenciais para manter a saúde e o bem-estar.
Durante a conversa, a nutricionista explicou que o calor provoca mudanças importantes no funcionamento do corpo. Segundo ela, quando a temperatura ambiente aumenta, o organismo passa a suar mais para regular a temperatura corporal. Nesse processo, além de água, também são perdidos eletrólitos, como sódio, potássio e magnésio, minerais fundamentais para diversas funções do corpo.

“O potássio, por exemplo, é essencial para o funcionamento muscular e cardíaco. Quando ele está em falta ou em excesso, pode causar alterações como arritmias cardíacas. Já o magnésio participa de mais de 300 reações químicas no organismo e sua deficiência pode provocar cansaço, dificuldade de concentração e até câimbras”, explicou Patrícia.
Segundo a especialista, quando essa perda de líquidos e minerais não é compensada por uma hidratação adequada, podem surgir sintomas como fadiga, dor de cabeça, queda de pressão, dificuldade de concentração e redução do desempenho físico.
Alimentar não é o mesmo que nutrir
Outro ponto destacado pela nutricionista foi a diferença entre alimentar e nutrir.
“Alimentar é apenas o ato de comer. Nutrir significa ingerir, digerir, absorver e utilizar os nutrientes no organismo. Muitas pessoas comem grandes quantidades de alimentos, mas ainda assim podem estar desnutridas do ponto de vista nutricional”, explicou.
Ela alertou que uma alimentação baseada em alimentos ultraprocessados, aqueles muito industrializados e ricos em açúcares, gorduras e aditivos, pode prejudicar o funcionamento do organismo e contribuir para o desenvolvimento de doenças como diabetes, hipertensão e até alguns tipos de câncer.
“Quanto mais natural for a alimentação, melhor. A ideia é simples: desembalar menos e descascar mais”, orientou.
Como montar um prato equilibrado
Durante a roda de conversa, Patrícia também apresentou uma forma simples de organizar as refeições do dia a dia, baseada nos três grupos principais de alimentos:
- Alimentos reguladores: frutas, verduras e legumes, ricos em vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes;
- Alimentos energéticos: carboidratos como arroz, mandioca, batata e cereais, responsáveis por fornecer energia;
- Alimentos construtores: proteínas como carnes, ovos, leite, feijão, lentilha e grão-de-bico, que ajudam na manutenção dos músculos e na recuperação dos tecidos.
Segundo a nutricionista, para uma alimentação equilibrada, o ideal é que metade do prato seja composta por legumes e verduras, enquanto um quarto deve conter proteínas e o outro quarto carboidratos.
“A variedade também é importante. Quanto mais colorido for o prato, maior será a diversidade de nutrientes consumidos”, destacou.
Alimentos ideais para os dias mais quentes
Com o aumento das temperaturas, alguns alimentos ajudam o corpo a lidar melhor com o calor. De acordo com Patrícia, o ideal é priorizar opções mais leves e com alto teor de água, que facilitam a digestão e ajudam na hidratação.
Entre os alimentos recomendados estão:
- Melancia;
- Melão;
- Abacaxi;
- Pepino;
- Tomate;
- Folhas verdes.
“Esses alimentos podem chegar a ter até 90% de água em sua composição e ajudam na reposição de líquidos e minerais perdidos com o suor”, explicou.
Por outro lado, a nutricionista orienta evitar o consumo excessivo de frituras, fast food e alimentos ultraprocessados, que são mais difíceis de digerir e podem aumentar a sensação de cansaço e mal-estar nos dias de calor.
A importância da hidratação

Outro destaque da conversa foi a necessidade de manter uma boa ingestão de água ao longo do dia. A água participa de diversos processos importantes no organismo, como a regulação da temperatura corporal, o transporte de nutrientes no sangue e a eliminação de resíduos pelos rins.
Na prática da nutrição clínica, uma forma simples de estimar a quantidade diária de água necessária é multiplicar o peso corporal por 30 a 40 ml de água por quilo.
Como exemplo, uma pessoa com 70 kg pode precisar ingerir cerca de 2,4 litros de água por dia, quantidade que pode variar de acordo com fatores como atividade física, temperatura do ambiente e condições de saúde.
A nutricionista também alertou que não é indicado esperar sentir sede para beber água. “A sede já é um sinal de que o corpo está entrando em processo de desidratação. O ideal é beber água ao longo de todo o dia”, afirmou.
Um alerta para profissionais da saúde
Durante a roda de conversa, Patrícia também chamou atenção para um comportamento comum entre profissionais da área da saúde: a baixa ingestão de água durante a jornada de trabalho.
De acordo com pesquisas científicas apresentadas no artigo “Water, Hydration and Health”, publicado na revista científica Nutrition Reviews, isso acontece principalmente por causa da alta demanda de trabalho, longos períodos de atendimento e poucas pausas durante o plantão, além do consumo frequente de café e outras bebidas estimulantes.
“Para cuidar bem do outro, precisamos primeiro cuidar de nós mesmos. Hidratação e alimentação adequadas são essenciais para manter energia, concentração e qualidade de vida”, reforçou.
Ao final do encontro, a nutricionista deixou uma reflexão para os participantes:
“Pequenas escolhas feitas todos os dias podem trazer grandes resultados ao longo do tempo. Alimentação equilibrada e hidratação adequada significam mais energia, mais saúde e mais qualidade de vida.”
