Na noite da última segunda-feira, 30, o auditório do HNSD foi palco de um importante momento de aprendizado e alinhamento entre equipes assistenciais. A aula sobre Giro de Leito integrou as ações do Projeto Lean nas Emergências, consolidando mais um passo estratégico rumo a um atendimento cada vez mais ágil, seguro e eficiente.
Conduzido pelo médico e consultor do projeto, Dr. Marcos Vasquez, o encontro trouxe uma abordagem prática e reflexiva, baseada na vivência de instituições de referência, aproximando conceitos de gestão da realidade do dia a dia hospitalar.

Giro de leito: mais do que liberar vagas, garantir cuidado de qualidade
Durante a apresentação, foi destacado que o giro de leito vai muito além da simples liberação de vagas. Trata-se de um processo estruturado que envolve planejamento, comunicação eficiente e atuação integrada entre as equipes.
Segundo o palestrante, não basta ampliar estruturas físicas sem organização e preparo das equipes. “Não adianta investir apenas em mais leitos se não houver profissionais capacitados, insumos adequados e, principalmente, gestão eficiente dos recursos”, reforçou.
A proposta do Projeto Lean nas Emergências, nesse contexto, é justamente otimizar o uso dos recursos já existentes, sem necessariamente gerar novos custos, promovendo uma melhor relação entre capacidade instalada e demanda de pacientes.
Superlotação: um desafio que impacta pacientes e equipes
Outro ponto de destaque foi a discussão sobre a superlotação hospitalar, considerada um dos principais desafios da saúde atualmente. O aumento da demanda, impulsionado por fatores como o envelhecimento da população e situações emergenciais, como pandemias, exige novas formas de organização dos serviços.
Entre as consequências da superlotação estão:
- Aumento do tempo de espera;
- Cancelamento de cirurgias eletivas;
- Sobrecarga das equipes;
- Riscos à segurança do paciente;
- Impactos nos índices de mortalidade e qualidade assistencial.
O palestrante também chamou atenção para o impacto direto na rotina dos profissionais de saúde, reforçando a importância de processos bem estruturados para garantir melhores condições de trabalho.
Planejamento da alta começa na admissão
Um dos conceitos centrais apresentados foi o de que a alta hospitalar deve ser planejada desde o momento da admissão do paciente. Essa organização permite reduzir atrasos, evitar permanências desnecessárias e garantir que o cuidado ocorra no tempo adequado.
A definição de uma previsão de alta, revisada ao longo da internação, surge como ferramenta essencial para orientar o fluxo assistencial e promover maior previsibilidade no uso dos leitos.
Além disso, foi reforçada a importância de preparar não apenas o paciente, mas também a família e a rede de apoio, garantindo uma transição segura para o cuidado fora do ambiente hospitalar.
Comunicação como ferramenta estratégica
A qualidade e a agilidade da comunicação entre os setores também foram apontadas como fatores decisivos para o sucesso do giro de leito. Ferramentas de alinhamento diário entre equipes permitem uma visão mais clara do cenário hospitalar, facilitando tomadas de decisão e priorizações.
Exemplos práticos, como reuniões rápidas de alinhamento e uso de quadros visuais com status dos pacientes, foram apresentados como estratégias eficazes para reduzir gargalos e melhorar o fluxo.
Um compromisso coletivo com a melhoria contínua
Mais do que apresentar conceitos, a aula reforçou o papel de cada profissional na construção de um sistema de saúde mais eficiente e sustentável. O giro de leito, nesse sentido, depende do engajamento coletivo e da compreensão de que cada etapa do cuidado impacta diretamente na experiência e na segurança do paciente.
A iniciativa reafirma o compromisso do HNSD com a qualificação contínua de suas equipes e com a busca por soluções que garantam um atendimento cada vez mais resolutivo para a população.
