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(Crônica) Vozes de Vitória: Elenita Barbosa

4 de maio de 2026

Tempo de leitura: 4 minutos

Entre exames, incertezas e recomeços, a trajetória de Elenita Barbosa, 51 anos, servidora pública e moradora de Itabira, revela a força que nasce mesmo nos momentos mais difíceis. Paciente oncológica atendida no Hospital Católico Nossa Senhora das Dores, ela transformou sua experiência em palavra, e sua palavra em acolhimento para outros pacientes.

Em dezembro de 2025, foi ela quem representou essa força ao discursar na inauguração do serviço de radioterapia do hospital, evento que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Saúde Alexandre Padilha, além de autoridades e da comunidade. Agora, compartilha com sensibilidade o que viveu desde o diagnóstico até a conclusão do tratamento.

Elenita Barbosa no centro de um momento que marcou sua história, e a de muitos pacientes oncológicos da região. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Saúde Alexandre Padilha, ela representou, na inauguração da radioterapia, a força de quem enfrenta o câncer com coragem e esperança – Foto: Comunicação HNSD.

O impacto do diagnóstico: entre o susto e a decisão de lutar

O primeiro sinal veio em junho de 2024, após a realização de uma mamografia na carreta do SUS. A partir dali, uma sequência de exames confirmou o diagnóstico. A notícia trouxe impacto imediato, mas também despertou nela uma decisão firme de enfrentar a doença.

“Na hora que recebi o diagnóstico é impactante, fiquei um pouco sem chão. Mas depois eu pensei: agora é resolver.”

A confirmação da malignidade ocorreu em julho, após ultrassom. Em setembro, Elenita passou pela cirurgia e, na sequência, iniciou o tratamento complementar, com seis sessões de quimioterapia e quinze de radioterapia, finalizadas recentemente.

Para ela, o ponto de virada foi entender que era preciso agir e manter o foco na vida.

Acolhimento que faz diferença

Ao longo de todo o processo, Elenita destaca o acolhimento recebido no Hospital como um dos pilares para enfrentar o tratamento. Desde os primeiros atendimentos, ela relata ter encontrado uma equipe atenciosa e empática, o que trouxe mais segurança em um momento tão delicado.

Segundo ela, sentir-se bem cuidada fez diferença no dia a dia e ajudou a tornar o percurso menos pesado. Pequenos gestos, como um olhar atento, um sorriso ou uma palavra de apoio, ganharam grande significado ao longo da jornada.

Os desafios do tratamento

Apesar da postura positiva, Elenita enfrentou dificuldades importantes durante o tratamento, especialmente relacionadas aos efeitos da quimioterapia. Entre eles, a perda do paladar foi o que mais a impactou.

“Teve vezes que eu sentava para comer e não conseguia. Já chorei na mesa olhando para a comida sem conseguir comer.”

Além disso, houve alterações físicas, como mudanças nas unhas e sensibilidade nas extremidades. O emocional também foi desafiado, com dias de maior cansaço e tristeza.

Mesmo assim, ela encontrou uma forma de seguir em frente, respeitando seus limites e enfrentando cada etapa no seu tempo.

A importância da rede de apoio

Outro ponto essencial na trajetória de Elenita foi a presença constante de pessoas ao seu redor. Familiares, amigos e profissionais de saúde formaram uma rede de apoio que a sustentou nos momentos mais difíceis.
Ela destaca que não consegue lembrar o nome de todos que fizeram parte desse caminho, mas guarda na memória os gestos de carinho e acolhimento que recebeu.

Um desses momentos ficou especialmente marcado: o apoio do filho ao saber do início da quimioterapia.

“Meu filho teve uma atitude que eu nunca vou esquecer. Quando fui começar a quimioterapia, eu estava preocupada com os horários e com o trabalho dele. E ele me disse: ‘mamãe, o dia que você for, independente do horário, eu vou estar com você’. E esteve. Isso me deu muita força para seguir.”

Foto: Comunicação HNSD

Uma mensagem para quem está começando

Com o tratamento concluído, Elenita compartilha uma mensagem de esperança para quem está iniciando essa jornada. Para ela, apesar das dificuldades, é possível atravessar esse momento com fé e perseverança.

“Tudo nessa vida passa. Vai dar tudo certo. Não vai ser fácil, mas é preciso acreditar e seguir em frente.”

Ela resume sua experiência com uma imagem que traduz bem o caminho percorrido: o câncer como um túnel, com momentos de escuridão, mas com uma saída iluminada ao final.

A história de Elenita Barbosa é marcada por desafios, mas também por coragem, apoio e superação. Seu depoimento reforça que, mesmo diante de um diagnóstico difícil, é possível encontrar forças para seguir, um passo de cada vez.

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