Quando as temperaturas caem, é comum associarmos o inverno ao aumento dos casos de gripe e doenças respiratórias. O que muita gente não sabe é que o frio também pode impactar diretamente a saúde do cérebro e aumentar o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC), uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo.
Embora o inverno não seja a causa direta do AVC, ele cria um cenário favorável para que fatores de risco já existentes se agravem. Segundo o neurologista do Hospital Católico Nossa Senhora das Dores (HNSD), Dr. Tiago Alvarenga, estudos mostram que a incidência do AVC isquêmico pode ser até 12% maior durante os meses mais frios. Nos casos de hemorragia intracerebral, esse aumento pode chegar a mais de 30%.
“O frio provoca uma série de respostas naturais do organismo. Entre elas, a contração dos vasos sanguíneos, o aumento da pressão arterial e uma maior tendência à formação de coágulos, condições que favorecem a ocorrência do AVC”, explica o especialista.

O frio exige ainda mais atenção de quem já possui fatores de risco
O inverno costuma trazer mudanças na rotina que, somadas às alterações provocadas pela baixa temperatura, aumentam ainda mais os riscos. É comum que as pessoas pratiquem menos atividade física, consumam alimentos mais calóricos e reduzam a ingestão de água, fatores que comprometem a saúde cardiovascular.
Além disso, homens, pessoas com 65 anos ou mais e pacientes hipertensos apresentam maior sensibilidade às variações de temperatura e precisam reforçar os cuidados durante essa época do ano.
Tempo é cérebro
No caso do AVC, agir rapidamente pode fazer toda a diferença entre uma recuperação satisfatória e sequelas permanentes.
O Dr. Tiago destaca que o principal sinal de alerta é o surgimento repentino de alterações neurológicas. Para facilitar a identificação, existe um método simples conhecido como SAMU:
- S – Peça para a pessoa Sorrir;
- A – Peça para levantar os dois braços (“Abraço”);
- M – Solicite que repita uma Mensagem simples;
- U – Se houver qualquer alteração, é uma Urgência.
Ao identificar qualquer um desses sinais, a orientação é ligar imediatamente para o 192 e acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Também é importante anotar o horário em que a pessoa foi vista bem pela última vez, informação fundamental para definir o tratamento mais adequado.
“O benefício do tratamento depende diretamente do tempo. Cada minuto sem atendimento representa perda de tecido cerebral, por isso dizemos que ‘tempo é cérebro'”, reforça o neurologista.
Pequenas atitudes fazem grande diferença
Apesar de o frio aumentar os riscos, a boa notícia é que grande parte dos casos pode ser evitada.
Entre as principais recomendações estão manter a pressão arterial controlada, seguir corretamente o tratamento médico, manter uma boa hidratação, mesmo quando a sede diminui, utilizar roupas adequadas para proteger o corpo do frio e evitar exposição prolongada às baixas temperaturas, principalmente nas primeiras horas da manhã.
Outro cuidado importante é evitar esforços físicos intensos em ambientes muito frios e manter hábitos saudáveis durante todo o inverno.
Mais do que uma condição associada ao envelhecimento, o AVC pode atingir qualquer pessoa que apresente fatores de risco, especialmente quando esses fatores se intensificam durante o inverno. Estar atento aos sinais, manter hábitos saudáveis e buscar atendimento imediato diante de qualquer suspeita são atitudes que podem salvar vidas e reduzir significativamente as chances de sequelas.
