Na última semana, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a lei que reconhece a fibromialgia como uma deficiência, um marco importante para milhares de brasileiros que convivem diariamente com a dor e o preconceito. A nova legislação representa uma conquista de direitos e visibilidade para esses pacientes, que muitas vezes enfrentam obstáculos até mesmo para conseguir um diagnóstico preciso.
Para entender melhor o que é a fibromialgia, conversamos com anestesiologista do HNSD, Márcio Antônio Fialho, que atua diretamente no cuidado de pacientes com dor crônica.
Dr. Márcio Antônio Fialho, anestesiologista do HNSD – Foto: Comunicação HNSD
O que é fibromialgia?
A fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica, de origem multifatorial, que envolve aspectos físicos, emocionais, psicológicos, neurológicos e até espirituais.
“É uma dor que atinge todas as esferas do ser humano e pode ser desencadeada por traumas antigos, inclusive na infância”, explica Dr. Márcio.
Embora não haja uma inflamação visível ou lesão nos exames, o corpo sente dores intensas e persistentes, o que muitas vezes gera desconfiança ou despreparo por parte de profissionais de saúde. “O paciente com fibromialgia é funcional, mas vive com dor constante e, infelizmente, ainda é estigmatizado”, completa.
Sintomas mais comuns
O principal sintoma da fibromialgia é a dor generalizada, que persiste por mais de três meses e pode variar de intensidade e localização. Além disso, outros sinais frequentemente relatados pelos pacientes incluem:
- Alterações no sono: dificuldade para dormir, sono leve e sensação de cansaço ao acordar, mesmo após uma noite inteira de descanso;
- Fadiga extrema: cansaço excessivo durante o dia, mesmo sem esforço físico, que interfere nas atividades cotidianas;
- Síndrome do cólon irritável: desconforto abdominal, gases, constipação ou diarreia frequente, sem causa aparente;
- Ansiedade e irritabilidade: mudanças de humor, inquietação e sensação constante de tensão;
- Esquecimentos e dificuldade de concentração: conhecido como “fibrofog” ou “névoa mental”, esse sintoma afeta a memória recente e a capacidade de foco e raciocínio.
Esses sintomas podem afetar profundamente o cotidiano do paciente, comprometendo sua qualidade de vida, produtividade e saúde emocional.
Diagnóstico e desafios
Segundo Dr. Márcio, o diagnóstico da fibromialgia é predominantemente clínico, feito a partir da escuta atenta do paciente e da identificação de pontos dolorosos no corpo. Os exames são utilizados para descartar outras condições, mas não identificam a fibromialgia em si.
“Um dos grandes obstáculos é o desconhecimento, inclusive entre profissionais da saúde. Muitas vezes o paciente chega com uma ‘mala de exames’, reclama de dor, mas sai do consultório sem respostas”, alerta o médico.
Como é o tratamento?
O tratamento da fibromialgia é multimodal e envolve tanto o uso de medicamentos quanto terapias complementares. Na parte farmacológica, são utilizados antidepressivos, gabapentinoides (como gabapentina e pregabalina); infusão venosa, que é a aplicação direta de fluidos em uma veia, de lidocaína e ketamina; e, em alguns casos, o cannabis medicinal.
Já no aspecto não medicamentoso, o tratamento pode incluir fisioterapia, apoio psicológico, arte-terapia, dança e música, sempre com foco na melhoria da qualidade de vida e no alívio dos sintomas de forma individualizada e humanizada.
É possível prevenir a fibromialgia?
De acordo com o especialista, a prevenção é um desafio. Como a fibromialgia pode estar relacionada a traumas emocionais antigos e fatores hereditários, não há uma forma direta de evitá-la. No entanto, o suporte emocional, cuidados com a saúde mental e hábitos de vida saudáveis podem ajudar na redução de riscos.
Quem pode desenvolver fibromialgia?
A doença afeta principalmente mulheres, com uma proporção estimada de 8 a 10 mulheres para cada homem. A faixa etária mais comum está entre 20 e 50 anos, mas a síndrome também pode atingir jovens e idosos.
Atendimento no HNSD
O Hospital oferece atendimento a pacientes com fibromialgia por meio de consultas no ambulatório com especialistas, como o Dr. Márcio Fialho. O acompanhamento pode incluir a avaliação multimodal, prescrição de medicamentos e encaminhamento para fisioterapia e apoio psicológico, conforme a necessidade de cada paciente.