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Fila de transplante de rim cresce, mas o número de doadores ainda é reduzido

21 de setembro de 2023
Tempo de leitura: 4 min

Você ficaria em uma fila por 3…6…10 anos?

A fila de transplante de órgãos no Brasil passa de 50 mil pessoas de acordo com a Associação
Brasileira de Transplante de Órgãos. E a maioria espera por um rim: 29.690 pacientes.
Há muitas pessoas que aguardam por um transplante renal que estão nesta espera angustiante e não
sabem quanto tempo levarão para receberem um rim, órgão que pode ser doado também em vida.

O Tiago Dias Souza é daqueles itabiranos de ferro, forte, tem 37 anos e faz tratamento de hemodiálise
há 20, contraria a média de vida após o tratamento que é de 10 anos. É o mais jovem dos pacientes,
mas também o que tem mais tempo na hemodiálise. É casado e tem uma filha de 12 anos. Tem uma
vida ativa, joga futebol, pratica pilates, gosta de viajar e de ficar com a família.

Ele faz tudo isso dedicando 4 horas por dia, 3 vezes na semana, ao tratamento de hemodiálise no
Hospital Nossa Senhora das Dores. Tiago conta que quando entrou para hemodiálise, aos 17 anos,
não tinha ideia do que era o tratamento, durante este tempo viu muitos colegas, pacientes, que
esperavam pelo transplante, falecerem na fila de espera.

Aos 31 anos Tiago fez o primeiro transplante, mas infelizmente teve rejeição 2 dias após a cirurgia.
“Não vejo a rejeição que tive com sofrimento. Eu não tenho medo de morrer, tenho muito medo de
não viver, porque a vida é extraordinária, é incrível”, enfatiza Tiago.
Neste momento Tiago está na fila de transplante pela segunda vez. Uma espera que já dura 6 anos.
Ele diz que “é importante que as pessoas saibam que em geral o tratamento de hemodiálise é pesado,
desgastante, exige adaptações e é sofrido. Mas o recado que ele tem para outros pacientes que
também esperam por um doador é: “ Não percam a esperança, mas VIVAM”.

O transplante
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), o Brasil registra aproximadamente 140
mil pacientes em tratamento de hemodiálise e o número de transplantes é reduzido. O coordenador
da Hemodiálise do HNSD, o nefrologista dr. Marco Antônio Gomes, explica que “a doença renal
crônica é silenciosa. Hoje vivemos uma epidemia. O paciente entra, mas tem um mau mecanismo de
saída de diálise. O tratamento definitivo é o transplante”, explica.

O transplante renal é possível após a morte ou com doador vivo. “O doador que tem uma morte
encefálica em que o coração continua funcionando, o rim continua funcionando e o pulmão continua
funcionando está em condição de terapia intensiva e mesmo que a pessoa tenha escrito ou falado
que pode retirar os seus órgãos, após a morte, a família é consultada. O doador vivo pode ser o pai, a
mãe, o irmão, o primo, de primeiro, segundo ou terceiro grau. Até o cônjuge pode doar”, explica. Esta
semana, no dia 27, foi comemorado o dia Nacional do Doador de Órgãos. O médico manda um recado
àqueles possíveis doadores em vida: “eu quero dizer que estão doando amor e que quem doa
permanece com um rim podendo viver naturalmente”, finaliza.

O HNSD tem hoje 35 pacientes aguardando o transplante renal e 01 aguardando transplante de rim e
pâncreas, 53 pacientes em processo de avaliação pré-transplante. Se você pretende ser um doador de
órgãos após a morte, converse com sua família e deixe claro este desejo. Há pessoas na fila de um
transplante aguardando por aquele telefonema que mudará para melhor as suas vidas.

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