O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras, quando desconsiderados os tumores de pele não melanoma. De acordo com a mastologista do Hospital Católico Nossa Senhora das Dores (HNSD), Dra. Victoria Romualdo, a doença ocorre quando células da mama passam a se multiplicar de forma desordenada e podem, em alguns casos, atingir outros tecidos e órgãos.
A elevada incidência faz do câncer de mama uma importante questão de saúde pública. No entanto, a especialista destaca que receber o diagnóstico não significa, necessariamente, o fim.
“Quando a gente consegue diagnosticar a doença precocemente, a gente tem excelentes possibilidades de tratamento e, em muitos casos, na grande maioria dos casos, de cura”, explica a médica.
A informação está entre as principais ferramentas para mudar a relação das mulheres com a doença. Por isso, durante a Jornada Rosa, iniciativa do HNSD voltada à conscientização sobre a saúde das mamas, a orientação é que o cuidado aconteça durante todo o ano, e não apenas durante o mês de outubro.

Cada câncer de mama é diferente
Um dos pontos destacados pela mastologista é que o câncer de mama não é uma doença única. Existem diferentes tipos de tumores, que podem apresentar comportamentos distintos e responder de maneiras diferentes aos tratamentos.
Características do tumor, como a presença de receptores hormonais, determinadas proteínas e a velocidade de multiplicação das células, ajudam a equipe médica a compreender a doença e definir a melhor estratégia para cada paciente.
“Duas mulheres com câncer de mama podem receber tratamentos completamente diferentes, tanto cirurgicamente quanto de remédios e de esquemas de radioterapia, porque a gente trata o paciente, a gente não trata o câncer”, afirma Dra. Victoria.
Segundo ela, os avanços na medicina também ampliaram as possibilidades de diagnóstico e tratamento. Exames de imagem mais precisos, novas técnicas de biópsia, evolução das cirurgias, reconstruções mamárias e tratamentos cada vez mais direcionados permitem que a assistência seja mais individualizada.
Em determinadas situações, é possível preservar a mama. Quando isso não é possível, existem diferentes técnicas de reconstrução que contribuem não apenas para o tratamento, mas também para a autoestima e a qualidade de vida da paciente.
Nem toda mulher apresenta o mesmo risco
A idade é um dos principais fatores de risco para o câncer de mama. Além dela, histórico familiar, predisposição genética, fatores hormonais e reprodutivos e hábitos de vida também precisam ser considerados.
Sedentarismo, obesidade e consumo de álcool estão entre os fatores relacionados ao aumento do risco. Por outro lado, a médica reforça que ter um fator de risco não condiciona a mulher a ter a doença.
“Não significa que ela nunca vai ter, mas também não significa que ela com certeza vai ter um câncer de mama só porque tem esse fator de risco”, explica.
O histórico familiar também merece atenção, principalmente quando existem casos de câncer de mama ou ovário em idade jovem ou várias pessoas da mesma família diagnosticadas com a doença. Nessas situações, pode ser necessária uma avaliação individualizada e, em alguns casos, investigação genética.
Por isso, o acompanhamento não precisa ser igual para todas as mulheres. A avaliação do histórico pessoal e familiar ajuda o profissional de saúde a definir a estratégia de rastreamento mais adequada para cada paciente.
Conhecer o próprio corpo também é uma forma de cuidado
Alterações nas mamas ou na região das axilas devem ser avaliadas por um profissional de saúde. Entre os sinais que merecem atenção estão novos nódulos, áreas endurecidas ou espessadas, alterações na pele, retrações, mudanças no formato da mama ou do mamilo, descamação persistente, secreção espontânea pelo mamilo e alterações semelhantes à aparência de “casca de laranja”.
Isso não significa que a presença de uma alteração seja sinônimo de câncer. Muitas mudanças nas mamas são benignas e podem estar relacionadas a cistos, fibroadenomas, alterações hormonais, inflamações ou infecções.
A recomendação, portanto, não é ter medo de encontrar uma alteração, mas procurar avaliação.
“Não precisa ter medo de investigar. A função da avaliação é justamente descobrir se essa alteração que você percebeu é uma coisa grave que precisa de uma investigação maior ou não”, orienta Dra. Victoria.
Ela também destaca a importância de conhecer as próprias mamas para perceber mudanças. “A gente só cumprimenta quem a gente conhece. Então, se a gente não conhece o nosso próprio corpo para saber como ele é normalmente, a gente não vai detectar uma alteração.”
Do primeiro achado ao diagnóstico
Quando uma alteração é identificada, a investigação segue etapas que variam de acordo com cada caso. A avaliação clínica pode ser complementada por exames de imagem, como mamografia, ultrassonografia e, em situações específicas, ressonância magnética.
Quando existe uma alteração suspeita, pode ser necessária a realização de uma biópsia. É por meio da análise do material coletado que o diagnóstico de câncer de mama é confirmado.
A médica explica que a definição do tratamento também depende de uma série de características. O tamanho do tumor, o possível comprometimento dos linfonodos, a presença ou não de doença em outros órgãos e as características biológicas do tumor são considerados pela equipe.
A partir dessas informações, o tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo, entre outras possibilidades. Nem todas as pacientes precisarão passar por todas essas etapas.
“Hoje, o tratamento do câncer de mama é cada vez mais individualizado para aquela paciente e mais multidisciplinar”, destaca.
Cuidar da pessoa, não apenas da doença
O tratamento do câncer de mama não termina na definição de uma cirurgia ou medicamento. A jornada pode envolver diferentes profissionais, como mastologista, oncologista, radioterapeuta, radiologista, fisioterapeuta, enfermeiro, psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional e educador físico.
Para Dra. Victoria, essa atuação conjunta é essencial para que a paciente seja cuidada de maneira integral.
“Tratar bem o câncer significa cuidar bem de uma pessoa que está atravessando, que está com câncer de mama”, afirma.
O acolhimento também tem papel fundamental. O diagnóstico pode provocar medo da doença, do tratamento, da cirurgia, da perda da mama, da queda de cabelo e das mudanças na rotina, na feminilidade e na sexualidade.
Nesse contexto, informação de qualidade também é uma forma de cuidado.
“A própria informação já é uma forma de acolhimento dessas pacientes”, ressalta a mastologista.
Para ela, a paciente precisa compreender o que está acontecendo, ter espaço para fazer perguntas e participar das decisões relacionadas ao próprio tratamento. Além da equipe profissional, familiares, amigos e redes de apoio também podem contribuir para que esse processo seja atravessado com mais segurança.
Mamografia: informação contra os mitos
Entre os mitos que ainda chegam ao consultório está a ideia de que existe algum exame capaz de substituir a mamografia no rastreamento. A especialista reforça a importância do exame e alerta para a desinformação relacionada à radiação.
Outro mito é acreditar que câncer de mama não dói ou que, quando existe dor, não pode ser câncer. Segundo Dra. Victoria, a presença ou ausência de dor não é suficiente para determinar se uma alteração é ou não maligna.
Também não é verdade que apenas mulheres com histórico familiar desenvolvem a doença. A maior parte dos casos ocorre de forma espontânea, sem uma síndrome hereditária conhecida.
A médica ainda esclarece que a biópsia não faz o câncer “se espalhar”. Pelo contrário: quando indicada, ela é uma etapa fundamental para confirmar o diagnóstico e definir a melhor conduta.
Não deixe o medo adiar o cuidado
O medo do resultado dos exames é outro fator que pode fazer com que algumas mulheres adiem a investigação. Para a mastologista, essa escolha pode dificultar a identificação precoce da doença.
“Não fazer o exame não impede que a doença exista ou que ela avance. Então, negar o exame, negar o diagnóstico, infelizmente não vai impedir que a doença progrida”, alerta.
O diagnóstico precoce está diretamente relacionado a melhores possibilidades terapêuticas. Quando identificado em fases iniciais, o câncer de mama pode, em muitos casos, ser tratado com procedimentos menos extensos e maiores possibilidades de cura.
A orientação, portanto, é não esperar uma alteração aparecer para começar a cuidar da saúde das mamas e não permitir que o medo impeça a busca por atendimento.
Cuidar de si também é uma prioridade

Para a Dra. Victoria, a Jornada Rosa é uma oportunidade de reforçar que o cuidado deve fazer parte da rotina das mulheres durante todo o ano.
Além de manter os exames de rastreamento indicados para cada perfil, ela destaca a importância de conhecer o próprio corpo, procurar avaliação diante de qualquer alteração e manter hábitos de vida mais saudáveis, incluindo a prática regular de atividade física.
“Não deixe de fazer exames de rastreamento, não deixe de fazer mamografia, conheça o seu corpo, conheça suas mamas, mantenha seus exames em dia. Não deixe o medo te impedir de procurar ajuda. E faça exercício físico, se priorize, cuide de você”, orienta.
E deixa uma mensagem que resume o propósito da Jornada Rosa: “Você é a única pessoa que estará com você mesma a vida toda. Então cuide do seu corpo, cuide da sua mente, se priorize e se coloque neste lugar de cuidado também.”
Jornada Rosa também na Rádio Pontal
As ações da Jornada Rosa continuam. No dia 21 de outubro, às 11h, a mastologista do HNSD, Dra. Victoria Romualdo, estará na Rádio Pontal, ao lado da gerente da Linha Oncológica do HNSD, Dalila Barros, para uma entrevista especial sobre câncer de mama, prevenção, diagnóstico precoce e mamografia.
A conversa será mais uma oportunidade para ampliar o acesso à informação e esclarecer dúvidas sobre a saúde das mamas. Acompanhe a entrevista e compartilhe essa informação com outras mulheres.
