A gestação é um período marcado por descobertas, mudanças e muitos cuidados. Entre eles, a alimentação ocupa um papel fundamental. Mais do que garantir energia para a mãe, uma dieta equilibrada fornece os nutrientes necessários para o desenvolvimento do bebê, contribui para uma gravidez mais segura e pode influenciar a saúde da criança até a vida adulta.
Segundo a coordenadora de nutrição do HNSD, Patrícia Guerra, é durante a gestação que o organismo materno disponibiliza todos os nutrientes necessários para a formação dos órgãos, do cérebro, do sistema imunológico e dos demais tecidos do bebê.
“Hoje sabemos que a alimentação da mãe também influencia a programação metabólica fetal. Isso significa que os estímulos recebidos ainda dentro do útero podem aumentar ou reduzir o risco de doenças como obesidade, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares ao longo da vida.”
Além de favorecer o desenvolvimento saudável do bebê, uma alimentação adequada reduz o risco de complicações durante a gravidez, ajuda no ganho de peso adequado, fortalece a imunidade, melhora o funcionamento do intestino e contribui para uma recuperação mais tranquila no pós-parto.
Cada nutriente tem uma função importante
Durante a gestação, alguns nutrientes merecem atenção especial por participarem diretamente da formação e do crescimento do bebê.
Entre eles estão o ácido fólico, essencial para o desenvolvimento do sistema nervoso; o ferro, importante para prevenir anemia e transportar oxigênio; o cálcio e a vitamina D, que contribuem para a formação dos ossos; além do iodo, da vitamina B12, das proteínas e do ômega-3, fundamentais para o desenvolvimento cerebral e neurológico.

Embora uma alimentação equilibrada forneça grande parte desses nutrientes, algumas gestantes podem necessitar de suplementação. A nutricionista reforça que essa decisão deve ser tomada individualmente, sempre com acompanhamento profissional.
Comer por dois? Não. Comer melhor para dois.
Um dos maiores mitos da gravidez ainda é a ideia de que a gestante precisa “comer por dois”. Na prática, o mais importante é investir na qualidade da alimentação.
A orientação é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, carnes magras, ovos, leite e derivados, além de manter uma boa hidratação e evitar longos períodos em jejum.
“Durante a gestação, as necessidades de vitaminas, minerais e proteínas aumentam proporcionalmente mais do que as de calorias. Por isso, a qualidade da alimentação é muito mais importante do que a quantidade”, explica Patrícia.
A especialista também alerta para a necessidade de evitar carnes, peixes e ovos crus ou malpassados, leite cru e queijos produzidos com leite não pasteurizado, devido ao risco de infecções que podem comprometer a saúde da mãe e do bebê. O consumo de alimentos ultraprocessados também deve ser limitado, assim como as bebidas alcoólicas, que não possuem quantidade considerada segura durante a gestação.

Um investimento que vai além da gravidez
Os hábitos alimentares adotados durante a gestação fazem parte do que a ciência chama de Primeiros 1.000 Dias, período que vai da concepção até os dois anos de idade da criança e é considerado decisivo para o desenvolvimento físico, neurológico e imunológico.
Segundo Patrícia, uma nutrição adequada nessa fase favorece a formação dos órgãos, fortalece o sistema imunológico e pode reduzir o risco de doenças crônicas no futuro.
“Não existe alimentação perfeita nem necessidade de dietas restritivas. O mais importante é buscar orientação profissional, manter uma alimentação variada e respeitar as necessidades individuais. Cuidar da alimentação durante a gestação é um gesto de carinho que pode acompanhar essa criança por toda a vida.”
