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(Crônica) Vozes de Vitória: Rosa Miranda

2 de julho de 2026

Tempo de leitura: 4 minutos

Há histórias que informam. Outras, acolhem. A de Rosa Miranda, 56 anos, faz as duas coisas. Moradora de Itabira, ela enfrentou o câncer de mama com uma convicção que impressiona: não permitir que o medo fosse maior do que a vontade de viver. Durante o tratamento realizado no Hospital Católico Nossa Senhora das Dores (HNSD), descobriu que a cura também pode ser construída com fé, acolhimento e esperança. Agora, sua voz se soma ao Vozes de Vitória, levando conforto e incentivo a quem enfrenta a mesma batalha.

Quando ouviu o diagnóstico de câncer de mama direita, o mundo de Rosa pareceu parar por alguns instantes. “Passa um filme na cabeça”, resume. Mas foi justamente naquele momento que ela tomou uma decisão que mudaria a forma como viveria todo o tratamento: não esconder a doença, não alimentar o medo e seguir em frente um dia de cada vez.

Mais do que vencer uma batalha física, Rosa escolheu preservar algo que considera essencial: a esperança.

“O segredo é não ter medo do câncer. Ficar triste é normal, mas não alimente isso. Levanta a cabeça, porque vai passar.”

Com coragem, fé e um sorriso no rosto, Rosa Miranda transformou sua experiência em uma mensagem de força para quem enfrenta o tratamento oncológico – Foto: Comunicação HNSD

Um passo de cada vez

O primeiro sinal surgiu em 2024, durante um autoexame, quando percebeu um pequeno nódulo na mama direita. Vieram consultas, exames, a confirmação do diagnóstico e o início de uma jornada intensa, marcada por cirurgia, sessões de quimioterapia e radioterapia.

Apesar das dificuldades, Rosa decidiu enxergar cada etapa sob uma perspectiva diferente.

Enquanto muitos viam a quimioterapia como um sofrimento, ela preferia pensar em cura.

“Cada gotinha da quimioterapia era uma gotinha de cura. Eu pensava: esse remédio vai matar o que está aqui. Nunca entrei na quimioterapia pensando que ela ia acabar comigo. Eu entrava pensando que ela ia me curar.”

Essa forma de olhar para o tratamento ajudou a enfrentar os efeitos colaterais, como os enjoos, a perda do paladar, a baixa imunidade e as mudanças na autoestima.

A coragem de se mostrar

Um dos momentos mais difíceis para muitos pacientes é a queda do cabelo. Para Rosa, porém, esse também se transformou em um símbolo de coragem.

Ela raspou a cabeça, publicou o momento nas redes sociais e decidiu viver tudo de forma transparente.

“Eu me achei linda careca. Coloquei um batom, um óculos bonito e saí. Se você se incomodar com o olhar das pessoas, você sofre mais ainda. Eu retribuía cada olhar com um sorriso.”

Ao compartilhar sua história, recebeu apoio de amigos, familiares e até de pessoas que nunca havia conhecido. “Quando a gente fala, as pessoas ajudam”, afirma.

Acolhimento que fortalece

Em dezembro de 2025, Rosa realizou a sua última sessão de quimioterapia. Ela participou da Hora da Vitória, momento em que os pacientes celebram cada etapa vencida do tratamento. Após a cerimônia, familiares e amigos organizaram uma carreata pelas ruas de Itabira para celebrar sua última sessão de quimioterapia. Em cada buzina, balão e demonstração de carinho, Rosa enxergava o resultado do apoio que recebeu desde o início da luta contra o câncer.

Os registros mostram dois momentos inesquecíveis da trajetória de Rosa Miranda: a celebração da última sessão de quimioterapia e, meses depois, o encerramento da radioterapia. Duas conquistas que representam cada passo dado em direção à recuperação – Fotos: Comunicação HNSD.

Ao longo do tratamento, Rosa encontrou no HNSD muito mais do que atendimento médico. Ela guarda com carinho o acolhimento recebido por toda a equipe da oncologia. Segundo Rosa, esses gestos fazem diferença.

“O carinho da equipe conta muito. Eu fui muito acolhida, muito bem tratada. Eles brincavam comigo, me colocavam para cima. Parecia que eu nunca estava sozinha.”

Ela faz questão de agradecer aos profissionais que acompanharam sua trajetória e afirma que todos terão um lugar especial em sua história.

Meses depois, em março de 2026, Rosa voltou a viver outro momento emocionante ao participar novamente da Hora da Vitória, desta vez pelo encerramento da radioterapia. A cerimônia marcou mais um passo importante rumo à recuperação e simbolizou o fechamento de uma fase intensa de sua trajetória.
Para ela, esses momentos vão muito além de uma celebração.

“Na minha cabeça, eu ainda continuo na luta. Mas cada etapa vencida merece ser comemorada, porque mostra que a gente está seguindo em frente.”

Fé, apoio e propósito

Para Rosa, enfrentar o câncer nunca significou ignorar os dias difíceis. Houve momentos de choro, de silêncio e de recolhimento. Mas ela aprendeu a respeitar esses sentimentos sem permitir que eles definissem sua caminhada.

Nos momentos mais delicados, buscava forças na oração, na música e na fé.

“Era o meu momento com Deus”, recorda.

Hoje, mesmo seguindo em acompanhamento, ela prefere olhar para frente. Se um dia precisar enfrentar tudo novamente, garante que fará da mesma maneira: sem medo.

“Se voltar, eu passo por tudo de novo. Encaro de frente outra vez. O cabelo cresce, a autoestima volta, a vida continua. O importante é não deixar o câncer dominar a sua mente.”

Uma mensagem para quem está começando

Ao final da conversa, Rosa deixa um recado simples, mas carregado de significado para quem acaba de receber um diagnóstico de câncer.

“Levanta a cabeça. Vai passar. Não tenha medo. Um dia de cada vez. Deus sustenta, a equipe cuida e você é mais forte do que imagina. Eu venci essa etapa e você também pode vencer.”

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